domingo, 8 de julho de 2012

3o.Ato

Banana protege do Alzheimer, aveia diminui o colesterol, leite previne a osteoporose, café diminui a chance de depressão...e eu achei que estava apenas tomando o café da manhã. Isso tudo depois de escovar cuidadosamente dentes e gengivas (evite PCR alta e complicações cardíacas) hidratar a pele com um novo ativador de colágeno (promete sumir com as rugas) e massagear vigorosamente os músculos, pois está chovendo e os exercícios matinais vão ficar para quando o sol voltar!

Assim como Jane Fonda (sim, temos algo em comum, a idade) eu também esperneio heroicamente contra o que ela chamou de Terceiro Ato. Essa fase da vida, absolutamente nova em que nos damos conta que estamos ficando velhas! E para esta minha geração isto é completamente novo e sem modelos...ou não? Toca pesquisar quem mais além de Jane Fonda conseguiu encontrar soluções criativas para este período. De cara vem Oscar Niemeyer, Roberto Marinho, Tomie Othake, Bibi Ferreira, Beatriz Segal (ops a lista está crescendo).   


Puxando na memória tem também a minha Avó Alzira, que aprendeu a nadar, dirigir um automóvel e saiu para viajar e conhecer o mundo depois dos 55 anos. Aos 80 e muitos, ela vivia dizendo: - Você conhece alguém que passou 30 anos da vida viajando? E faceira, respondia rapidamente: -EU! França, Estados Unidos,  Itália, Alemanha, Russia, Egito, Israel, Japão , China, Cuba (quando ainda era perigoso andar por lá e tentar voltar para cá), Patagonia, Ilha da Páscoa, Aruba, Chile, Argentina, Machu Picchu e Marrakesh, além de todas as pequenas e grandes viagens por todo território nacional.Tudo isso por conta própria, sozinha e sem dinheiro sobrando. Ela só não foi ao Polo Sul, porque a sua idade avançada era um risco para a viagem. Isso rendeu ao organizador da excursão poucos e bons impropérios na lingua mãe (espanhol)!


Olhando a partir desta perspectiva até que não parece tão ruim!


Será, como diz Jane Fonda, uma grande oportunidade de finalmente ser você mesma, sem tantas obrigações e compromissos? (hummmm não me parece bem isso, pelo menos não por enquanto). Ou será uma chance rara de estabelecer outro nível e padrão de compromissos com o si mesmo e com a vida?


Sem respostas por enquanto...aceito sugestões!



Referência - 





sábado, 17 de setembro de 2011

Tablets...uma nova lógica?

Ele ficou na caixa por várias semanas até que eu pudesse encontrar tempo e paciência para entender seu funcionamento. Digitar não é comodo,pelo menos nāo para quem se acostumou com os teclados dosúltimos muitos anos.Faz sentido usar muita abreviação ou aqueles programas que adivinham onde seus dedos querem ir ivc não precisa pular de uma tecla para outra,só escorregar...

Tablets definitivamente foram feitos para comunicação rápida...sem muita explicação!


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Homeless, Dreamless


HOMELESS, DREAMLESS...



Esta foto começou a nascer num dia em que eu estava passeando pela Av Paulista. Prédios modernos e antigos, céu claro, ensolarado, o Masp pintado de azul e sendo costurado por uma enorme agulha e linha, pouco trânsito, feirinha de antiguidades, gente andando com calma. Definitivamente não era a Paulista de todos os dias. Mas, eu tenho uma câmera rebelde, que não vai onde eu quero e me leva onde ela acha que tem que ir. Eu ainda não entendo bem o que ela quer, mas obedeço. A imagem inicial ficou guardada por muitos meses no meu Flickr-depósito, ou seja no lugar onde vou colecionando imagens brutas para um dia pensar no que fazer com elas. 

Ontem, um vídeo de uma professora corajosa, lá do Rio Grande do Norte, movimentou a rede o dia todo - Amanda Gurgel, com muita simplicidade, respeito e objetividade - disse o que tinha a dizer! Na verdade disse o que milhões de professores espalhados pelo País tem vontade de dizer todos os dias. E se você tiver tempo, não deixe de assistir. (http://youtu.be/yFkt0O7lceA)

Cuidado - ela é contagiosa.  Bom contágio, aquele do resgate da integridade e dignidade, aquele que nos faz recuperar a coragem de sonhar e construir.No meio das trocas de twitter, facebook, e emails  lembrei da foto. Trabalhei com ela durante todo o dia.

Era sobre isso que a a câmera queria que eu pensasse.

sábado, 14 de maio de 2011

Faça um pedido...

Make a request,Machen Sie eine Anfrage,Egiteko eskaera bat,Fè yon demann,Napravite upit,Fremsætte en anmodning,Hacer una solicitud,Faire une demande,Fai unha solicitude,Κάντε μια αίτηση,Да поднесете барање,Lag en forespørsel,را درخواست, 提出要求,Podat žádost,Сделать запрос,Gör en förfrågan,'N versoek,להגיש בקשה,एक अनुरोध करें,Зрабіць запыт,מאַכן אַ בקשה, Faça um pedido em qualquer língua ou dialeto. Faça um pedido com a certeza de que será atendido, por mágica, milagre ou qualquer outra força ainda inexplicável.

domingo, 1 de maio de 2011

Exercício


Atribuir toda responsabilidade pela situação a um grupo de pessoas é dar a elas muito mais importância do que elas tem.
Há poucos dias, por obra do acaso, tive que rever três grandes filmes de épocas diferentes. São êles Laranja Mecânica (1971) DogVille (2003) e Matrix (1999/2003). Se em Laranja Mecânica tudo se dá no campo da exuberância de formas, cores e som, e na estetização da violência, em DogVille a economomia de recursos é levada ao extremo com cenários reduzidos a marcas no chão, uma paleta de cores estrita (marron, cinza , preto e branco), ausência de trilha sonora, etc..E em Matrix, o que se vê é a explosão do hipertexto, das referências múltiplas, da convergência de mídias características do universo ciberpunk.
Para tres tratamentos tão diferentes um mesmo tema:- o que as coisas são e o que parecem ser, como são feitas as escolhas (ou não), a ilusão do livre arbítrio e o exercício do poder no plano pessoal, familiar, social e político. Passa o tempo, mudam as formas, permanecem as questões. E os tres diretores são absolutamente geniais na medida em que evitam as respostas simples e estereotipadas; porque não se atrevem a oferecer nada mais que o estranhamento, a ambiguidade e ambivalência dos personagens, remetendo os espectadores a suas próprias indefinições. Quem é bom? Quem é ruim? Nas mesmas circunstâncias o que faria eu? E você???

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Horror absoluto


Ainda sou daquelas que acreditam que todos os bebes nascem lindos, risonhos e carinhosos. Nunca encontrei um bebê diferente disso nos seus primeiros dias de vida.

A vida, as circustâncias em interação com a genética, moldam o seu caráter, ampliam ou reduzem drasticamente suas possibilidades de ser no mundo.

Há escolhas,voces dirão, e, em certas circusntâncias, eu diria que não há tantas escolhas
assim. Lembrando Focault da minha juventude, é compreensível.E, ao mesmo tempo, inadmissível,inaceitável mas ainda assim, passível de ser entendido. Há uma certa lógica na
loucura.

Lembro de uma aula num daqueles manicômios da vida com o desafiador Prof Lacaz. O caso se resumia a - um homem tinha matado a mulher, a machadadas. Pacientemente ele nos fez levantar a história e percorrer os caminhos que levaram aquele infeliz indivíduo àquela situação limite. No final da anamenese, um de nós e de certa forma todos nós pensávamos: o paciente está internado porque aguentou essa mulher por tempo demais. Ele deveria ter posto um fim na situação muito antes!

Em seguida veio a parte mais difícil (e de certa forma a arte do professor): aos poucos fomos percebendo que eramos capazes dos mesmos sentimentos...Em situações extremas, quem sabe o que poderíamos fazer? Resgate da condição de humanos, no que há de melhor e no que há de pior da condição humana. Nem herois, nem salvavidas, nem médicos, nem monstros. Apenas humanos.Os acontecimentos na escola carioca, trouxeram de volta uma das melhores aulas da minha vida.

A insanidade social é nossa, é atributo do chamado desenvolvimento que fez do sucesso financeiro o maior valor e quem sabe o único valor, negando e banalizando todos os outros. É fruto de mecanismos de poder e opressão tão poderosos que não deixam aos excluídos nenhuma outra forma de expressão que não a mais absoluta violência, destilada em sua forma pura, sem motivo, sem causa,
sem bandeira.

Em Apocalipse Now de Francis Ford Copola, ganha a guerra quem for capaz de suportar o horror absoluto. Aqui, como em inúmeros outros casos repetidos pelo mundo, nem há uma guerra para ganhar. Trata-se apenas do horror, pelo horror em si, porque de antemão já se sabe que não há mais nada pelo que valha a pena lutar.

Gesto extremo de indivíduos levados à impotência e inexistência máxima. Chegamos lá, já somos capazes de reproduzir o que de pior o mundo desenvolvido criou. Somos humanos. Temos escolhas a fazer!