domingo, 31 de outubro de 2010

Let it be!


Um dia você vai e há uma vida nova a sua frente. Mais ou menos desconhecida, dependendo de quantas vezes você já se atirou pelo mundo. As lágrimas da partida são rapidamente substituídas por lugares e pessoas, sonhos por construir,potencialidade pura. Começar, mesmo que seja de novo, é sempre permeado por uma certa euforia, característica de quem foi tomado pelos deuses:entusiasmo.
Outro dia você fica e deixa ir...Aí a coisa complica, ou pelo menos assim parece neste ponto em que me encontro. Os lugares, as coisas, são as mesmas de sempre. A cadeira, o café, o computador, a xícara, tudo é igual e, ao mesmo tempo, diferente. A ausência se instalou.
Eu não sabia que doia tanto uma mesa num canto...Eta sambinha sofrido!
Bobagem - dirão os amigos,- voces podem falar por skype ou MSN todos os dias, a web acabou com as barreiras de tempo e espaço. Larga mão de frescura! A vida continua, filhos são DO e PARA o mundo. E, mais cedo ou mais tarde, eles vão mesmo cuidar das suas vidas, construir os próprios sonhos.
Eu mesma já disse isso para muitos amigos;só agora percebo que, gostando ou não, acabei de entrar para o clube daqueles cujos filhos estão espalhados pelo mundo. Filho na Austrália, no Amapá, nos Estados Unidos (um montão na costa leste e oeste), em Florianópolis, no Canadá, na França,no Amazonas, na Alemanha... deve ser o movimento de globalização dos filhos, que eu nem percebi e estava acontecendo!
Autêntica representante da geração dos baby-boomers sou forçada a reconhecer que colho aquilo que plantei. Liberdade, autonomia,leitura crítica do mundo que nos cerca,escola construtivista,LET IT BE!!

Um comentário:

  1. A dor pela distância entre pessoas que se querem bem, nunca é uma bobagem... Ela existe e é muito doída mesmo quando a distância nem é tão grande assim, ou até mesmo quando a tecnologia nos ajuda, mas, como todas as dores emocionais, só é plenamente compreendida quando fazemos parte do grupo que está distante...Não importa o quanto tenhamos consciência dos benefícios que o outro está usufruindo. Não importa o quanto tenhamos ajudado o outro nessa trajetória, nem o quanto as suas consquistas nos alegrem e até sejam percebidas como nossas também... Estamos felizes, tivemos um papel importante neste avanço, mas, como sempre, a história se repete e esquecemos de nos preparar para este momento e, por isso, estamos tristes... A boa notícia (e sempre há uma boa notícia) é que com o tempo, o nosso eterno aliado, acabamos reconhecendo que a distância foi necessária para a chegada de novas alegrias. Pouco a pouco reaprendemos a nos situar no tempo, no espaço e na comunidade e como uma flor que dá o máximo de si para poder mostrar a exuberância de suas pétalas, conseguimos nos fortalecer e sorrir outra vez.

    ResponderExcluir